Uma coisa que eu achava antes de ter gatos é que eles eram animais com plena consciência de espaço. Como bons predadores que são – e nunca deixam de ser, diga-se de passagem – imaginei que nada passasse despercebido aos olhinhos deles. Achei que eles soubessem onde estão as coisas numa sala e só ficassem intrigados quando algo mudasse de lugar ou se mexesse.

Isso não estava aqui, mamãe, eu TINHA que derrubar.
Estava enganada, claro, como em tantos outros pré-conceitos que tinha sobre gatos. As minhas três felininhas têm isso de vez em quando, de olhar para algo e ficarem loucas, como se nunca tivessem percebido que aquilo estava lá. Todas se comportam assim, mas na Pelu isso é muito mais claro: do nada, ela “descobre” algo que estava no cômodo há muito tempo, no mesmo lugar. Pode ser um prego na parede, um sapato, uma caixa na prateleira. E fica completamente biruta, mia, faz “orelha do mal” (uma das poses que um gato bravo faz, com as orelhas para trás), corre, fica com rabo de guaxinim.
Uma das vítimas favoritas dela é a caixa de chás, que está sempre no mesmo lugar. De vez em quando ela encana, derruba no chão e fica rolando em cima dos saquinhos. Ainda bem que hoje em dia todos os chás têm esses envelopinhos plásticos bem fechados e protegidos, senão o único chá que tomaríamos aqui em casa seria o de pelo de gato. Na verdade, achamos que qualquer tipo de chá funciona como catnip para ela, mas isso ainda precisa de uma pesquisa um pouco mais científica para virar uma afirmação. Mas por que a caixa fica lá 99% dos dias e de repente, do nada, ela olha como se fosse uma novidade? Ah, gatinhos. Gatinhos!