#05 Fantasia sexy
mar 09
Pra não dizer que não fizemos nada de carnavalesco, hoje eu e o Marcos fomos ver a Orquestra Voadora no Aterro. Na verdade foi desculpa pra nos fantasiarmos.
Minha fantasia de “homem” tinha uma bermuda preta larga, sapato e meia social. A fantasia de “mulher” do Marcos tinha ainda unhas pink, uma saia verde-bandeira que eu adoro, uma das minhas bolsas pretas e uma das minhas sandálias de velhinha. Tivemos sorte no quesito sapato, pois nós dois calçamos 39 e pudemos trocar sapatos sem complicações. O Marcos teve problema com a maquiagem, não consegui pintar os olhos dele (fechava o olho com força toda vez que eu chegava perto) e não tinha batom adequado – era ou um laranjão (que eu achei que não tinha nada a ver), ou esse meio cor de boca.
Vimos gente fantasiada de tudo quanto é coisa. Meu chute é que uns 30% das pessoas estavam completamente fantasiadas, e uns outros 50% com pelo menos um item “engraçadinho” – um chapéu, um colar ou maquiagem. Cisne negro foi a fantasia do carnaval, para homens e para mulheres – aparentemente tinha uma demanda reprimida por fantasias de bailarina, então todo mundo se esbaldou no tutu esse ano. Vimos 3 Van Goghs e uma Little Miss Sunshine. Criticas políticas ficaram lááá longe, só vimos um Kadhafi, nenhuma Dilma, Lula, Obama ou qualquer outra figura do gênero. Goleiro Bruno, que achamos que ia fazer algum sucesso, não vimos nenhum. Vimos muitos homens vestidos de mulher mas, tirando eu, só vimos uma moça vestida de homem (uma moleca empinando pipa).
As fantasias seguiram o padrão de sempre: não importa do que se fantasiem, as mulheres sempre continuavam “bonitinhas”, com roupas curtas, decote e rosto exposto (e algumas com uma faixa escrotinha de uma cerveja falando “vem que eu sou boazinha”). A diversão e a bagunça mais desregrada ficava para os homens, com roupas que cobriam o corpo todo, máscaras, pinturas corporais e combinações mais esdrúxulas. Não preciso fazer nenhum comentário muito longo ou específico, né? Porque está bem claro que até no carnaval – onde teoricamente todas as regras podem e devem ser quebradas – o valor das mulheres está em ser atraente, enquanto os homens podem ser o que bem entenderem.
O Sociological Images já falou sobre as fantasias sexies no halloween. Pelo jeito, o fenômeno é mundial.
Ah, e vi uma menina com a camiseta de “feminismo é a idéia radical de que mulheres são gente”. Porque felizmente alguém lá no meio lembrou que era Dia Internacional da Mulher.

