O jogador como medida
jun 27
Um comentário sobre o Empires & Allies, o jogo da Zynga que passou o Farmville em 25 dias (o grifo é meu):
“This game is more like a real game with deeper game play than the typical Zynga title. The blending of combat and casual is a big risk for Zynga,since many of its fans are middle-aged women who may not be a natural target audience for a game where you lob an artillery round at a good friend. But so far, it looks like the bet is paying off.”
O que pode estar errado neste palpite?
1) O público da Zynga não é composto em sua maioria por mulheres de meia-idade.
ou
2) As mulheres de meia-idade gostam de jogos de batalha.
Não sei dizer. Aliás, quem saberia? Não existem muitos dados qualitativos (bem, pelo menos não que eu conheça) sobre a audiência de games. Ninguém parece saber de verdade quem está jogando. Não basta saber se quem joga é mulher ou homem, se tem 45 ou 15 anos, se gasta ou não dinheiro jogando. Tem algumas coisas que eu gostaria de saber e nunca vejo numa pesquisa:
- O dono(a) da conta é quem realmente joga a maior parte do tempo? Desconfio que uma boa parcela de jogadores faz de jogos solitários uma atividade em grupo, com um filho ou amigo por perto. Na minha lista de “amigos de jogos” no Facebook vejo isso direto, filhos tomando conta das fazendas das mães e vice versa. E no WoW, conheço muita gente que divide contas e até personagens.
- No caso específico do Facebook, quantas contas são falsas, criadas apenas para dar vantagens em jogos? Vejo isso no WoW também, gente que criou outra conta só por causa do Recruit-a-Friend.
- Quem compra/baixa/autoriza o acesso ao jogo é a mesma pessoa que joga? Ou uma parcela significativa de jogadores “empurra” esses jogos pra amigos? (Eu! Eu! Eu!)
Hoje em dia a medida usada, a de usuários ativos, não responde a estas questões. Este ser misterioso é alguém que entra no jogo uma vez por mês, pagando uma mensalidade, quando aplicável. “Usuário ativo” é um registro no banco de dados da Zynga e um número na contabilidade da Blizzard.
Eu preferiria que o foco fosse nas pessoas. O que eu gostaria de ver como medida é o jogador, um sujeito complexo, com múltiplos níveis de interesse e muitas atividades correndo em paralelo. É um cara que joga em espaços de tempo variáveis (que podem ou não corresponder ao tempo livre disponível), que socializa no jogo ou sobre ele (em um ou mais níveis), que pode ou não usar o jogo na criação da sua identidade. E o mais confuso para os reis das planilhas: esta pessoa pode ter uma (ou mais, ou nenhuma) conta no jogo a ser analisado. No fim das contas esse cara aí também vai virar um número, mas um número muito mais complexo, concorda?
Complicado? Também acho. Mas o mundo real é complicado mesmo. E aí, como se mede isso?
#game studies de botequim é aqui!











