A mosquita que quase me matou
abr 14
Agora posso me sentir carioca de verdade: tive dengue. Uma mosquita achou que o Marcos daria um bom prato principal para alimentar seus futuros filhotes e eu, uma boa sobremesa. Resultado: pouco mais de uma semana que simplesmente não existiu no calendário, algumas sequelas temporárias e um medo quase irracional de mosquitos.
Dia #1 (segunda): o Marcos ficou doente exatamente um dia antes de mim, e eu não levei a sério a gravidade do problema. Quando estava com ele na emergência do Hospital Espanhol, comecei a passar mal também e aproveitei pra fazer o primeiro exame de sangue. Não deu nada conclusivo, só sinais coerentes com uma virose. Mas a médica disse que os sinais de dengue só aparecem três ou quatro dias depois.
Dia #2: febre muito alta, perto dos 40 graus o dia inteiro. Muito mal estar, a ponto de não conseguir ficar sentada nem para ver TV. Não consegui comer nem beber quase nada. Nós dois tomamos perto dos 4g de paracetamol que podíamos tomar por dia e a febre não cedeu um único grau. As gatinhas se comportaram muito bem e adoraram ficar encostadinhas. Foi o pior dia de todos, achei que ia morrer.
Dia #3: mais febre que não cedia por nada deste mundo. Muita dor no corpo, principalmente nos quadris. Até meu couro cabeludo doía. Ainda sem conseguir ficar sentada ou comer direito. Começamos a tomar gatorade, pois tudo tinha gosto ruim, até água.Voltamos ao hospital e as plaquetas baixaram – as minhas muito mais que as do Marcos – , mas ainda estavam dentro do normal. Apareceram manchinhas no corpo, bem espalhadas. Comecei a ter dor no lado esquerdo do abdome e muita tontura.
Dia#4: mais febre. Acho que já estávamos tão acostumados às altas temperaturas que achamos que a febre estava baixando. Bobagem: continuava quase tão alta como antes, perto de 39. A diferença é que agora dava pra levantar e fazer algumas coisas, mas não por muito tempo. Muita dor no corpo ainda. Desisti de tomar paracetamol porque não estava adiantando nada. Conseguimos comer comida de verdade, um pouquinho.
Dia #5: achei que ia ficar boa. A febre diminuiu muito, assim como a dor no corpo. Até consegui comer de novo, achei mesmo que a doença estava no fim da linha. Mas no fim do dia voltou a febre e a dor no corpo, com muito mal estar. Neste ponto, o corpo estava muito mais manchado que antes. Meu nariz sangrava por qualquer coisa, era só assoar que saía um monte de sangue. A tontura passou por algumas horas, mas depois voltou com tudo.
Dia #6: fomos no hospital de novo. As plaquetas baixaram mais ainda, as minhas estavam abaixo do limite. Tomei dipirona para a febre, que não estava muito alta. No fim da noite, perdi a paciência de ficar rolando na cama sem conseguir dormir e vim pro computador jogar, mesmo passando mal. No fim da noite meus pés e mãos estavam super inchados, vermelhos e doloridos.
Dia #7: acordei sem febre e com fome. Com fome! Nunca pensei que ia ficar feliz de sentir vontade de comer, mas o fato é que durante essa semana toda nem vontade de comer porcaria eu tinha. O corpo já doía menos, mas as manchas não diminuiram. Os pés continuavam tão inchados que não cabiam nem no chinelo. E começou uma coceira horrorosa, principalmente nas mãos, antebraços e pés, como se fossem milhares de formigas picando ao mesmo tempo. Tomei um antialérgico mas não adiantou nada. O nariz ainda sangrava muito.
Dia #8: já estava bem melhor. O inchaço não diminuiu e o nariz continuava sangrando a qualquer toque. Mas já dava quase para ficar sentada vendo TV. Aliás, como assistimos novela esses dias! Parecia a única coisa que o cérebro conseguia processar. A coceira passou quase totalmente. O Marcos já estava sem febre e se sentindo bem.
Dia #9: tirando o inchaço, os pés e mãos vermelhos e o nariz sangrando, já estava ótima. Voltamos mais uma vez no hospital e os exames ainda não estão bons, mas as plaquetas subiram um pouco. A médica foi otimista e nos deu alta.
Agora é voltar à vida normal e torcer pra não aparecer um outro tipo de dengue aqui nas redondezas.

